Domingo, Maio 25, 2008

Apresentando

Estréia da Carol no Depósito de Idéias. Clicaí e confere.


A partir de agora, escritos depositados por lá sempre nos dias 5, 15 e 25 de cada mês.

Quinta-feira, Maio 08, 2008

versos íntimos

debaixo do chuveiro
faço versos versos sem rima:
escorrem ralo abaixo
água e sabonete.

Quarta-feira, Maio 07, 2008

da minha história com as letras

Nas minhas memórias de infância não raro apareço cercada das letras. Aprendi a ler aos quatro anos, observando minha mãe elaborando exercícios escolares e juntando uma sílaba ali e outra acolá. Depois vieram as revistas do Maurício de Sousa, idéia do meu pai para estimular o gosto pela leitura. Alguns anos mais tarde, habituei-me à condição de contumaz devoradora de livros, principalmente no período das férias escolares, quando era parecerista-cobaia das coleções de literatura infanto-juvenil de algumas editoras. Filha (única) de professora de Português do Ensino Fundamental, na época conhecido como Primeiro Grau, cabia a mim dar o aval sobre os títulos X ou Y, julgando seus conteúdos apropriados ou não para determinada faixa etária, no intuito de ajudar minha mãe na escolha dos paradidáticos de seus alunos. Tomei gosto pela coisa.
A partir daí, era facilmente vista com algum título embaixo do braço ou fuçando a biblioteca do colégio à procura de alguma coisa nova para ler. Várias vezes, quando pensava no emprego dos sonhos, me imaginava numa vídeo locadora ou numa livraria. Há dois anos e meio, comecei a estagiar numa editora/livraria, onde continuo trabalhando até hoje, e então passei a viver cercada das letras dos mais variados temas. Depois dos primeiros meses embasbacando diante de cada novidade do meu interesse que por lá chegava encaixotada, resolvi me afastar um pouco das prateleiras - inclusive para evitar prejuízo de ordem financeira. Eu corria o sério risco de deixar meu salário todo, ou quase, no meu local de trabalho. Com o tempo e a convivência diária, achei que a paixão esmoreceria. Ledo engano.
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Alguns meses de reforma e semanas só olhando a fachada bonita depois, eis que uma nova livraria dá o ar de sua graça aqui pela terrinha, no mesmo lugar onde funcionava a outra. Aproveitando a parada obrigatória semanal pelo Farol resolvi dar uma conferida hoje, ao menor sinal de que o lugar estava funcionando.
"Bom dia".
"Bom dia".
"Você tá procurando alguma coisa específica? Quer ajuda?"
"Não, obrigada. Vim só conhecer".
E fui me dirigindo, sem saber direito o porquê (?), ao lugar onde ficavam os livros de literatura nacional na arrumação da antiga livraria. Daí a pouco, uma voz conhecida por cima do meu ombro:
"'Ói' ela! Tudo bem? Tá procurando alguma coisa específica? Sentiu saudade da livraria esses meses?"
Era a senhora que tinha me atendido da última vez em que estive lá, quando o prédio ainda era da Livraria Nobel. Fiquei feliz ao vê-la, num misto do fato de ela continuar trabalhando lá com o fato de ela parecer a mãe da Ju, minha goodfella desde que me entendo por gente.
"Senti, sim. Ehmm... onde fica a sessão de literatura nacional?"
"Aqui, do outro lado", a senhora me indicava as prateleiras que, à primeira vista, achei que tinha sido seriamente desfalcada.
Começando a fuçar, encontrei uns quatro Fernandos Sabino, dois Mestres Graça, alguns Nelsons Rodrigues... Senti falta de Caio F. e Clarice; queria algo visceral por esses dias, pra emendar com a obra escolhida da Márcia Densa. Até que uma lombada vermelha fininha onde estava escrito Eu te darei o céu me chamou a atenção. Além de fazer tocar o refrão da música do Rei Roberto na minha cabeça no mesmo instante, o nome da autora era bem familiar. Tratava-se de um dos livros da ótima Doidivana, que o me mostrou há algum tempo. Depois de analisar uma pilha de cinco escolhas, acabei decidindo trazer o céu e outras promessas dos anos 60 pra casa comigo. E de antemão já digo que valeu a pena.

Fica aqui então a dica pra quem mora na terrinha. Desconto de 15% no pagamento à vista - e talvez no cdc também, salvo engano de quem vos escreve. Se não desconto, pelo menos facilidades no parcelamento. Passa lá pra dar uma olhada. Aproveita que leu até aqui e clica nos links do texto também, ó.

Deu no jornal:

Olha só onde ele foi parar...

(registro aqui meus agradecimentos ao Fernando Coelho, da Gazeta de Alagoas, por todo o cuidado e atenção; e à Carla, por ter indicado esta bodega).