Quinta-feira, Novembro 13, 2008

Dearest,

As cartas e as palavras doces no começo da manhã não são mais minhas já há algum tempo. Parei de pintar; os quadros, as idéias, as tintas e o ar do atelier estão impregnados de você. Não consigo mais passar as minhas horas ali. Não consigo mais dormir uma noite inteira, o espaço vazio na cama aumenta a cada noite. E agora não tem mais o teu sorriso de satisfação não disfarçada quando te falei da falta de costume de dormir sem você.
Ouvi dizer que você voltou a perder peso, que cortou os cabelos. Gostava deles compridos, de deslizar minhas mãos neles. Quantas vezes você adormeceu assim, no meu colo? Um sono tão tranqüilo, feito sono de criança. Gostava de ver você dormir.
Uma noite dessas, voltando do trabalho, passei por aquele bar em que costumávamos ir nos nossos dias. A vodca me pareceu mais amarga do que o costume, não tinha o seu falar manso e o seu sorriso doce por perto. O garçom parece ter entendido; dessa vez não perguntou por você. Fui embora cedo. Sair ficou sem graça e não quero fingir que ‘to tocando a vida e ta tudo bem’. Agora não. Tudo a seu tempo.
Agora tudo parece tão estranho e tão distante. Como se você tivesse mudado de mim de repente. Como se me tivessem levado um pedaço grande desse meu coração teimoso que é mais duro do que eu imaginava. E passo as horas a procurar uma palavra, um sorriso, um gosto novo, em lábios desconhecidos que vão embora na manhã seguinte, enquanto a cama continua fria e vazia.

Fica bem. Saudades.

So forgive me love
If I cry in your shower
So forgive me love
For the salt in your bed
So forgive me love
If I cry all afternoon